quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dia a dia dos professores

Agência Estado, 02/09/2005 - São Paulo SP

Professores com os nervos à flor da pele

Violência é o principal incômodo ou sofrimento no ambiente de trabalho para 62% dos entrevistados pela Apeoesp

Camila Anauate e Marinês Campos

São Paulo - Pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) mostra que 46% dos 1.780 entrevistados tiveram diagnóstico confirmado de estresse e 25% sofrem com a depressão. Isso é provocado principalmente pelas situações de violência vividas dentro das escolas. Os professores que citaram a violência como o principal incômodo ou sofrimento no ambiente de trabalho somaram 62%. A diretora de uma escola do Rio Pequeno, escola da Zona Oeste, é uma delas. Ela contou que, só ali, há três professores tentando se readaptar ao trabalho depois de sofrerem com a síndrome do pânico, doença caracterizada por crises de ansiedade e pânico.

Ansiedade e agressões - Os dados do levantamento ainda apontam cansaço (80%), nervosismo (61%), ansiedade (55%), esquecimento (48%), angústia (44%) e insônia (34%) como os principais sintomas apresentados professores entrevistados. Treze por cento deles também confirmaram já ter sofrido acidentes de trabalho, como agressões físicas (11%) e morais (8%). Metade desses casos ocorreram dentro das próprias escolas e 4% em eventos escolares fora do ambiente de trabalho.

Para o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro, a própria escola não dá aos professores as condições necessárias para vencer a violência. "Não há preparo de funcionários para enfrentar situações como essa. Como é possível trabalhar com um aluno drogado, que se torna extremamente agressivo? Nós não estamos preparados para enfrentar esse problemas."

Índice caindo - Segundo a Secretaria de Estado da Educação, o índice de violência vem caindo há dois anos, desde que foi implantado o programa Escola da Família, que abre as portas das escolas nos fins de semana a toda a comunidade, para atividades esportivas e culturais, qualificação de trabalho e orientação de saúde. O principal motivo da queda nos delitos seria a integração da comunidade ao ambiente escolar. De acordo com pesquisas da secretaria, as ocorrências contra a pessoa e o patrimônio nas escolas de todo o Estado caíram 39,5% depois do programa. Também houve redução de 46,5% nas agressões físicas e de 81% no porte de drogas. A queda de 36% dos índices de violência também foi visível na vizinhança das escolas.

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